ESQUINAS QUE PROFESSAM

 

 

“…Palavras apenas palavras pequenas, ao vento…” A menina, autora desta frase, virou pó e ficou como as palavras pulverizadas ao vento?! Poderia ter sido não fosse o registro no papel, tornando-as literatura aos ouvidos por serem cantadas. Já o corpo, a matéria se reduziu a pó e não resistindo ao fascínio do vento sucumbiu à visão oblíqua de quem valoriza a matéria em detrimento das letras responsáveis pelo conteúdo professado inicialmente pelos pais e, por extensão, pelos professores nas séries iniciais.

Deixemos bem claro, a missão é iniciada neste instante ao frequentar a Escola. O fato de direcioná-los, orientá-los ao longo do caminho é uma tarefa cujos alicerces são feitos com e por amor. Falo isto porque, embora exista obviedade, cada um de nós desde a tenra idade temos internalizados o saber e utilizá-lo de maneira adequada, neste processo, cabe a cada um envolvido nele. Ela como extensão de ensino jamais tem que deixar de ser uma continuidade de afeto, que por isso ou aquilo sucumbe ao ostracismo. É claro, ainda bem que não é o nosso caso, é bem verdade, afinal, professar é missão para quem ama, então estamos todos juntos.

Profissionais liberais, motoristas, trabalhadores informais, políticos, alunos… todos professam, no entanto nós que lidamos diariamente com tudo isto tornamo-nos professores de um extremo ao outro em quaisquer ambientes linguísticos ainda que estejamos no corredor de um mercado (interessante, as vezes a impressão era de ser herético por estar num supermercado), numa rua de um bairro sofisticado ou popular (sentia-me um alien), estamos professorando, somos professores e jamais esqueceremos disto um minuto sequer mesmo nos instantes de ócio porque sempre escutamos “professor, o senhor por aqui?!” ou então um sonoro e peculiar grito até de quem nunca foi seu aluno como “-Ei prooofeeeesooooorr!!” Esta é a única profissão exercida todo dia o dia todo sem intervalos, e que nem mesmo uma padaria, uma esquina negligencia nossa presença.