MENINOS…

Sabe, meninos, as coisas são tão simples… tornamo-nos adultos e sem querer grande parte do que vivenciamos quando criança se perde ao longo do caminho. A nossa observação, por exemplo, torna-se aquém se comparado quando olhávamos com admiração e torcíamos para crescermos rápido e ficarmos quase parecidos com os mais altos. A certeza trazia uma consciência inigualável de que com alguns ajustes chegaríamos bem sucedidos a uma vida adulta saudável. Acontece que esta consciência, também, como mágica, desaparece.

Não sei muito de muita coisa e nem me sinto mal por isso, incomoda-me apenas a falta de querer brincar e as desculpas constantes e subaproveitadas de que se tem muito trabalho a fazer. Sem dúvida, caríssimos meninos, quando vocês fizerem isso, estarão adultos. Normalmente isso acontece quando passamos a conhecer uma palavra cuja denominação é: responsabilidade. Na ocasião dificilmente prestamos atenção, mas inequivocadamente, a carga semântica desta palavra nos dá medo. Será que não a conhecemos ao longo da infância, ou será que os de mais idade não a definiram de uma maneira mais responsável?!

Desde pirralhos sabemos de muita coisa, e olha que nem é preciso ler Antoine de Saint-Exupéry, cujo personagem confirma e chama a atenção de todos nós adultos, para saber sobre o quanto somos responsáveis, hein?! É, nós adultos, temos esta falta de entendimento cujo perigo é observá-la como normal, e isso nos deixa irresponsavelmente distantes do que poderíamos ser e de como se fazer ser compreendido por uma criança diante desta contradição atroz e avessa à leitura de Exupéry.

Parece mesmo que a consciência de vez em quando cansa e nos faz pinoquear nas barbas de um grilo que ao longo do tempo insiste em lutar para que ela não seja sublimada ou mesmo esquecida e que, diante de uma urgência, doa-se nirvanamente para que a encontremos e a resgatemos das adversidades e dos momentos vulneráveis de nossa vida amargamente doce junto, é claro, da nossa porção criança. Meninos… assim seremos e viveremos por longos e longos anos felizes, sem aquela ingênua espera e aquele desejo de nos tornarmos adultos tão depressa.