O REFLEXO DE UMA RETINA

Maria Olímpia. Um nome virgem, sem por nem tirar. Assim ela escolheu. Não sei o porquê da escolha.  Para falar a verdade, não me interessei.  Apenas ouvi – com a firmeza de sua fala – palavras de coração, cuja alma por meio da alegria, revelou uma senhora doce, sem arrependimentos.  Somente fez questão de afirmar sua satisfação em fazer amizade, para ela, o mais importante ingrediente da vida.

Pinheiro Lacerda. Sobrenome herdado do avô e do pai respectivamente. De gente realizadora. O elevador Lacerda, de Salvador, fora a obra de engenharia efetivada pelo seu avô, conta naturalmente. Não sei se é verdade. Caso seja verídico, ótimo, do contrário não causará nenhum prejuízo nem ficará em débito pela suposta inverdade. Seu rosto com as bochechas caídas, os olhos fundos e inflamados, a fragilidade de sua rígida estrutura óssea que a impedia de dar passos contínuos, já vale. Isso tudo são características de uma pessoa guerreira, independente, cujo destino era tão somente xerocar uma oração de Nossa Senhora de Nazaré.

Minutos depois ouço as batidas na porta. Era ela. Contou-me não ter tido nenhum amor na sua vida. Fora uma opção. Fugia daquele homem fardado pelo medo de não acordar como acontecera com uma prima sua. Diz viver bem. Longe de duvidar de sua história, de suas certezas. Mas o brilho visto nos seus olhos é o mesmo da minha retina que clama, reclama para viver a vida com amor e uma boa companhia.