Para além do dia dos namorados

A saudade entorpece. Sente-se a ausência de não mais compartilhar a linguagem única do desejo, do amor. A sensação não poderia deixar de ser a de perda. Resta a certeza amargamente doce: possuir sua amizade. Tê-la em tempo integral, não mais. Agora irei provar daquele dito popular de que amizade é para sempre.

Os valores são os mesmos. As intenções distintas. Realizar-me pai ao encontrar a companhia com as mesmas intenções (as de ser mãe, é claro) e os mesmos valores, é o meu desejo. Não somos mais, contudo fomos para decidir o futuro do presente antes que o futuro do pretérito fizesse de nosso presente um indicativo do faz de conta.

Pensar em culpa jamais. O erro deve ter sido uma outra invenção de se tentar definir o certo, o correto. Penso que foi muito bom viver aquela unidade. Sem ela, quem sabe teríamos nossas certezas de hoje?! Afinal, erro e culpa são palavras cujos contextos passionais nunca combinaram com o nosso. Devemos sempre olhar além, mais adiante. Perceber a essência de um encontro é caminhar convicto de que houve um aprendizado. E ao invés de insultarmos um ao outro, agradecermos.

Desde o início houve a franqueza na qual fora efetivada nossa amizade. E agora a verdade torna-se puro desejo e amor. O desejo é a própria busca para realizar as respectivas intenções. O amor brando e lúcido é querer bem ao amigo e companheiro, vivendo, inequivocadamente, o enamorar, cuja essência, pelo menos acredito, é a que mais se aproxima ou mesmo revela o amor, porque quando enamoramos a nossa história perpetua-se para além do dia dos namorados.