Textos e Gestos

É impressionante como os gestos são arrebatadores. Eles conseguem silenciar os mais insólitos sentimentos e, ao mesmo tempo nos mais afoitos, acelerar inúmeros desejos reprimidos de gritar, de dizer um monte de palavras das quais se formarão frases, períodos, orações, vislumbrando-se, até mesmo, uma breve história de vida.

Gostaria de ter reações mais explícitas, nas quais todos percebessem a minha alegria incontida ou mesmo contagiante ao receber uma boa notícia, uma surpresa agradável, um presente e a satisfação de estar ao lado, todos os dias, da pessoa amada. Ainda bem que descobri o texto, e nele me fiz ser compreendido (pelo menos tento) para participar da brincadeira, da mesma forma como a do escritor Carlos Heitor Cony ao perceber, na infância, que mesmo com um problema na fala, poderia conversar com ele mesmo e, se quisesse, com os outros por meio do texto.

Guardadas as óbvias diferenças entre o escritor e o estudante que sou (e sempre serei), insisto em “mexer” com as palavras mesmo diante das supostas dificuldades ou erros como algumas pessoas preferem apontar, entorpecidas pelas regras gramaticais que por vezes, melindram e limitam a padrões, estruturas. As dificuldades serão sempre bem aceitas, porque acredito que delas desdobra-se o aprendizado. Dessa forma, busco aperfeiçoar minhas frases, construir períodos claros e orações bem encadeadas, cuja gradação tenha pelo menos um razoável desfecho para gritar (ou escrever?!) muito obrigado aos que criticam e, principalmente, aos que mostram alternativas.

Os gestos podem parecer estranhos em alguns momentos, mas é só observarmos o âmago dos sentimentos que o olhar traduz. Aí, não tem erro, iremos compreender o recôndito do ser que doa e do que agradece. Quanto ao texto, sem querer puxar a “sardinha pra minha brasa” como muitos de nós falamos, assim como o olhar, ele revela a alma nem sempre dócil, mas recheado de aprendizado acerca da condição humana.