Tiozuka e a tinta vermelha….

De repente aquela pergunta. O desejo inenarrável por uma resposta a altura. Continuou com os olhos arregalados, ouvidos a postos para escutar quem sabe um, porque sim!!! Escutou apenas o incentivo de quem há muito cultiva o saudável hábito de procurar saber os porquês de tanta postura inaceitável como a de pessoas negligentes diante da curiosidade de uma criança.

Havia pedido para ele escrever um texto. Perguntou-me se poderia produzi-lo de caneta vermelha. Não pensei duas vezes, entreguei-lhe uma caneta de quatro cores. Seguidamente incumbi-lo da tarefa de construir cada parágrafo com uma cor diferente. Com a oferta de várias cores a curiosidade veio à tona. Por que, tio, não podemos escrever de caneta vermelha na escola?!

Uma outra indagação fora direcionada, tempos atrás, a uma de suas professoras. Frente a frente com um desenho, cujas nuvens tornaram-se protagonistas pelo desejo frustrado da criança em não poder pintá-las de azul, restou-lhe a pergunta: Por que professora?! A resposta foi a constatação da existência do pior cego, aquele que só enxerga até onde a vista alcança, quando ela justificou com a mísera constatação de que as nuvens são brancas. Toda criança sabe da cor branca da nuvem. E daí se ela quiser pintar de azul?! A tinta vermelha, sabe-se, além de traumatizar ao longo de nosso colegial, é usada para correção. E daí se a criança quiser escrever com a tinta vermelha, verde, azul, alaranjada…

Penso muito no respeito mútuo, bem como em considerar todas as perspectivas, seja de quaisquer pessoas como as de um idoso, as de uma criança. A fragilidade daquele é de não possuir o vigor físico de um jovem para se defender, a do outro é de possuir inúmeras possibilidades de enxergar o mundo sem poder defendê-las por ser criança.

Infeliz de quem pensa, de quem brada frases desprovidas de bom senso como, por exemplo, ah! é coisa de criança. Isso tudo revela adultos, e o que é pior, educadores, capazes de ver e de não poder enxergar, pela inabilidade, incompetência ou mesmo ignorância, a riqueza de um aprendizado, cuja rua é uma via de mão dupla.

Sem a devida atenção, sem mostrar-lhes alternativas, a oportunidade de evoluir como ser humano continuará aquém do desejado. Basta de porque é assim, de porque sim. Vamos abrir a porta aos porquês para compartilharmos as descobertas como a daquele texto, cujos parágrafos coloridos mostraram o gosto do garoto pelo Latim, dado como Língua morta, assim como insistem em mostrar ser branca a nuvem.

Gilberto Lopes Bastos Júnior.